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out 25

Fé e Política

     Estas duas palavras contêm em si os pilares de estruturação do mundo, porque elas são nobres, são intrínsecas, elas se imbuem da mensagem salvíficas dos Evangelhos, pois se pautam e distribuem a justiça de maneira ampla, daí o fundamento incorruptível, quando bem aplicado. Se ambas fogem, um pouco, vira denominação religiosa e politicalha.

     Quando Martinho Lutero denunciou a venda de indulgência, provocando a grande reforma e, consequentemente o racha na Igreja católica, pode-se notar que a Fé foi denominada religião, porque ela passou a atender a um princípio humano, procedendo daí milhares de outras denominações dissidentes da Católica, sendo a última, dissidente do judaísmo.


     Política, expressão procedente do grego POLIS (cidade), e Político é aquele que irá zelar por ela (cidade), que irá interpretar os anseios de seu povo, e viabilizar a concretização dos mesmos. Aqueles que fogem, que não se enquadram nessa pequena fórmula, praticam a Politicagem, que é o oposto, isto é, mostram interessados nos anseios mais imediatos de seu povo, para depois de eleitos servirem-se deles para se ascenderem economicamente e socialmente. Fazem do povo pasto para alimentar a cobiça de seu caráter, já, deturpado.

     Lendo um livro intitulado: Pequeno Tratado das Grandes Virtudes (André Comte-Sponville), que um amigo me presenteou, há uma explicação definitiva para a Virtude: ela é o poder daquilo que se espera ser.

     A virtude de uma faca é cortar. Se um açougueiro usa a faca no seu serviço e um assassino na prática de um homicídio, a virtude da faca não foi corrompida. O que diverge do exercício é a ação, a intenção usada na faca.

     A virtude do homem é exercer em sua plenitude a bondade, é ser Humano. E ele carrega em seu ser a Política e a Fé, ele não pode, ou melhor, ele não deveria corrompê-las.

     Por que estou relatando isto?

     A eleição deste ano, tanto na campanha do primeiro turno, quanto no segundo, tornou-se, simplesmente, um arauto da falta de bom senso, onde a mídia que deveria ser uma articuladora na formação moral e política, pelo contrário ela está depravando com a deformação dos fatos, quanto pior, melhor, para ela e para os poucos que detêm os privilégios, que não lhes pertencem, de fato. E nesta maré de fatos distorcidos o homem tornou-se autômato, pois não questiona os fatos, apenas aceita em detrimento de uma coisa ruim, que ele carrega em si, que se intitula: CONVENIÊNCIA.

     A vida “moderna”, talvez pelo excesso de demanda e as poucas horas de vida útil, contida em um dia, está fazendo do homem um rolo compressor, que atropela a tudo, sem visualizar em cada coisa uma necessidade a ser contemplada, a ser respeitada. A prudência tornou-se obsoleta, fora de moda, em detrimento do radicalismo burro e nefasto.
Mais umas perguntas:

  – Onde está a nossa Cristologia?

  – Será que a morte do Jesus no madeiro foi obra do acaso? Será que não houve ali um projeto da salvação de Deus para o Homem.

  – Será que o Homem, denominado ser racional, é um projeto que, ainda, não deu certo?

    Para tanto: Prudência na guarda de suas virtudes.

P/ João Bosco de Melo
Dores de campos, 23 de outubro de 2010.
PASCOM

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